Manifestação de maior peso ocorreu no em Barcelona, diante da delegação do governo espanhol, para onde confluíram diversas passeatas. Há registro de 74 feridos, 37 deles na capital

Em Barcelona e em diversas cidades da Catalunha houve uma segunda jornada de manifestações de rechaço à sentença aplicada aos políticos e ativistas independentistas, que foram condenados a penas de chegam a quase cem anos de prisão pelo processo independentistas de 2017. Durante a manhã houve piquetes em diversos pontos do território. Na capital, por volta do meio-dia, manifestantes fecharam o trânsito da Gran Via, na confluência com a praça Espanha, um dos pontos mais movimentados da cidade. A manifestação de maior peso ocorreu no final da tarde diante da delegação do governo espanhol, onde a polícia agrediu manifestantes e ao final houve barricadas e fogueiras.
Milhares de pessoas vindas de caminhadas em diferentes pontos da cidade confluíram no final da tarde na rua Mallorca, onde fica a representação de Madri, atendendo à convocação da Assembleia Nacional Catalã (ANC) e de Òminum Cultural. No início da concentração houve um minuto de silêncio em solidariedade aos presos. Depois o local foi iluminado por velas levadas pelos participantes do protesto.
▶Així ha estat l’impresionant minut de silenci pels presos poítics 🎥Guillem Camós https://t.co/t1qyUYpBJ1 pic.twitter.com/XehfAWGs6r
— ElNacional.cat (@elnacionalcat) October 15, 2019
O entorno da delegação do governo espanhol foi blindado com grades pela Polícia Espanhola e pelos Mossos de Esquadra, com restrições ao trânsito nas imediações. O grosso da manifestação transcorreu de maneira pacífica, contudo houve momentos de tensão nas imediações de Mallorca com Passeio de Gràcia, com ataques dos agentes de segurança a manifestantes. Alguns tentaram ultrapassar o cordão policial e foram alvejados com violência pela polícia, que acabou golpeando até jornalistas que faziam a cobertura no local. Nas imediações do Passeio de Gràcia houve confrontação entre polícia e alguns manifestantes encapuzados, que queimaram conteiners. Imagens divulgadas no Twitter pelo ex-deputado Albano Dant Fachin mostram a polícia tentando atropelar manifestantes no centro de Barcelona, como mostra no vídeo abaixo.
Que el mundo lo vea: la policia intenta atropellar manifestantes en BCN. Aquí está la verdadera violencia. El Estado ya está buscando muertos. Las imágenes hablan por si solas. pic.twitter.com/3Mf7PxdiS0
— Albano-Dante Fachin (@AlbanoDante76) October 15, 2019
Além de Barcelona, houve protestos em Tarragona, Girona, Lleida, Vic, Tortosa, Terrassa, Puigcerdà, Mataró e Igualada. Em Girona, mais de sete mil pessoas, segundo a polícia local, se concentraram diante da delegação do governo espanhol. Em Lleida, uma multidão também se reuniu diante da representação do governo central na cidade. Em Tarragona, o protesto aconteceu na praça Imperial Tarraco, onde havia mais de cinco mil pessoas. Em algumas destas cidades também se registrou ataque da polícia aos manifestantes, numa jornada de muita tensão. À noite, o governo espanhol soltou uma nota dizendo que “Não vê o movimento independentista como pacífico e que a violència na Catalunha está generalizada”.
Por sua vez, o vice-presidente da Catalunha, Pere Aragonés, pediu calma aos manifestantes e que não dêem o que o governo espanhol quer, ou seja, um motivo para justificar a aplicação uma intervenção na Catalunha. A prefeita de Barcelona, Ada Colau, ressaltou que a cidade é pacífica e que todas as instituições devem pedir tranquilidade à população.
AEROPORTO – Ontem, a maior das manifestações ocorreu no Aeroporto de Barcelona, que foi ocupado por manifestantes do início da tarde até as 22:00. Mais de 150 voos foram cancelados e mais de 50 pessoas foram feridas pela polícia, que atacou os manifestantes, inclusive com usos de balas de borracha, o que é proibido na Catalunha. Um jovem de 22 anos perdeu a visão de um olho após ser atingido por um destes proojéteis, levantando muitas críticas à repressão policial.