Artista visual brasileiro radicado na capital catalã participa da exposição “O assalto da ilusão”, no centro de artes Santa Mònica
“Scroll infinito”, do brasileiro Chico Amaral, é uma das 22 obras presentes na exposição “O assalto da ilusão”, no centro de artes Santa Mònica, em Barcelona. Inaugurada na quarta-feira (18), guia o público em um percurso cenográfico dinâmico, com espelhos, véus e paredes móveis nas quais são exibidas diversas contribuições dos artistas.

A mostra começa no térreo e segue pelos dois seguintes andares do antigo prédio que abrigou um convento no século 18. Se chega à sala onde estão os 12 pequenos dioramas de Amaral, após cruzar um corredor escuro, no qual os retratos/quadros expostos estão superpostos por véus. As imagens, aparentemente estáticas, ganham movimento por um mecanisco oculto em outro andar, que é ativado pelo próprio público.

Assim, de repente, quem está observando os pequenos quadros é supreendido por um olho abrindo e fechando, nuvens movendo-se de um lado para o outro, luzes, movimento. Na inauguração da exposição, bastante concorrida, Amaral interagia com o público no espaço onde estão as manivelas que ativam os movimentos dos quadros de “Scroll infinito”. Os mecanismos fazem que a obra dependa da participação do público na ativação dos mesmos, que pode ou não ocorrer, introduzindo o acaso na interação.
ARTISTAS – O itinerário de toda a exposição divide-se em quatro partes, cada uma orientada a iludir, revelar e questionar as técnicas que constroem ficções. Além de Amaral, participam de “O assalto da ilusão” os artistas A.A.Murakami, Alain Josseau, Aneta Grzeszykowska, Anish Kapoor, Antonio Gagliano e Verónica Lahitte, Berndnaut Smilde, Fabian Knecht, Ilê Sartuzi, Juan Antonio Cerezuela, Julia Santa Olalla, Klaus Frahm, Leandro Erlich, Lucrecia Dalt, MANS O e Joan Sandoval, Manuel Calderón, Miquel Màrtir, Núria Güell, Victor Enrich e Xesca Salvà.
Segundo o curador Enric Puig Punyet, a exposição “apresenta uma leitura da arte como ferramenta para produzir ilusões e enganos e explora como, ao longo de sua história, ela configurou progressivamente tanto o nosso desejo quanto aquilo que entendemos como ‘realidade‘”. Para isso, aborda conceitos como a pós-verdade, as dinâmicas de poder e os mecanismos que se escondem por trás da criação hegemônica de ficções e ilusões.
O curador acrescenta: “Em um presente atravessado por deep fakes, pela circulação massiva de imagens, pela inteligência artificial e pela sofisticação dos mecanismos de manipulação visual, ‘O assalto da ilusão’ levanta uma questão urgente: que papel a arte pode desempenhar na hora de nos ajudar a desmascarar esses enganos? “
Se estás em Barcelona, podes buscar a resposta ao questionamento visitando a mostra, que permanecerá no Santa Mònica até 27 de setembro. O centro de artes está situado nas Rambles, 7.