Por Cesar Vanucci *

“Debate não é sinônimo de combate.” (Ministro Luiz Fux, presidente do STF)

Numa sessão memorável, abertura oficial do ano judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, exprimiu primorosamente o sentimento nacional, ao referir-se à pandemia e aos postulados democráticos que nos regem. Criticou, em termos veementes, o negacionismo e o obscurantismo cultural que norteiam o comportamento de setores radicais empenhados em ataques desabridos à ciência, com suas interpretações insanas das medidas que o bom senso e a experiência científica recomendam sejam adotadas no enfrentamento do flagelo. Mencionou, a propósito, manifestação do presidente do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul.

Luiz Fux com a palavra: “Não tenho dúvidas de que a ciência, que agora conta com a tão almejada vacina, vencerá o vírus; a prudência vencerá a perturbação; e a racionalidade vencerá o obscurantismo. Para tanto, não devemos dar ouvidos às vozes isoladas, algumas inclusive no âmbito do Poder Judiciário. Confesso que fiquei estarrecido com a manifestação de um presidente de um Tribunal de Justiça, menosprezando esse flagelo, abusando da liberdade de expressão para propagar ódio, desprezar as vítimas e promover negacionismo científico. É tempo de valorizarmos as vozes ponderadas, confiantes e criativas que laboram, diuturnamente, nas esferas públicas e privadas, para juntos vencermos esta batalha.”

Noutro trecho da lúcida fala, proferida em sessão que contou com a presença do Presidente da República e de representantes do Congresso, Fux conclamou a união em torno da pacificação nacional. Sublinhou: “Estamos todos do mesmo lado. A pandemia demonstrou o quão apequenadas são nossas divergências e quão pontuais são nossas discordâncias, quando as comparamos com a grandeza de nossa missão – a de zelar pela força normativa da Constituição. Debate não é sinônimo de combate, tampouco discussão é sinônimo de discórdia.” Complementou o pensamento adiante: “Quem vive este Tribunal sabe que aqui não há senso de poder, mas, decerto, expressivo senso de dever.”

*  O jornalista  Cesar Vanucci (cantonius1@yahoo.com.br) é colaborador do Blog Mundo Afora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.